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Dieta de Atkins Modificada e Epilepsia 

O que é Dieta de Atkins Modificada?

Assim como a dieta cetogênica, a dieta de Atkins modificada também tem como princípio controlar as crises epilépticas de pessoas com epilepsia de difícil controle medicamentoso (fármaco-resistente). Ela surgiu em 2003 através da modificação da dieta do Dr. Atkins proposta em 1972 com finalidades estéticas. A palavra “modificada” foi incluída ao nome tendo em vista que, ao invés do aumento de proteína inicialmente sugerido pelo Dr. Atkins, aumentou-se a proporção de gorduras, afinal a produção de corpos cetônicos é otimizada por meio da associação entre alta ingestão de gorduras e baixa ingestão de carboidratos. Sendo assim, o cardápio é planejado pelo nutricionista ou nutrólogo, limitando-se os carboidratos, estimulando o consumo de gorduras e adequando o aporte de proteína diário. Tal estratégia nutricional promove elevação dos corpos cetônicos que mimetizam os efeitos do jejum prolongado no cérebro, promovendo mecanismos anticrise.

Quais são os alimentos fonte de carboidrato, proteína e gordura consumidos na dieta de Atkins modificada?

Os alimentos fonte de carboidrato priorizados na dieta de Atkins modificada contêm alto valor nutricional, ou seja, oferecem quantidades significativas de vitaminas e sais minerais, como as frutas (abacate, morango, maçã, pêra etc.), os legumes (abobrinha, tomate, pepino, cenoura etc.) e as hortaliças (alface, rúcula, agrião, brócolis etc.). Sendo assim, os açúcares, farináceos e cereais não compõem a dieta de Atkins modificada. Os alimentos fonte de proteína são: carnes vermelhas (bovina ou suína), carnes brancas (frango ou peixe) e ovos. As gorduras são oferecidas basicamente por meio de creme de leite fresco, maionese, nata, leite de coco, toucinho e óleos vegetais.

Por que fazer a Dieta de Atkins Modificada e não a Dieta Cetogênica?

A dieta de Atkins modificada tem indicação aos indivíduos cuja epilepsia não requer controle rápido das crises. Nos casos em que há necessidade de melhora rápida, como estado de mal epiléptico ou algumas encefalopatias epilépticas, a dieta cetogênica deve ser priorizada. Conforme dissemos no tópico de dieta cetogênica, ela é estruturada em cardápio cujo porcionamento dos alimentos é feito em gramas, exigindo pesagem. Embora a dieta de Atkins modificada seja equivalente à fração 1:1 da dieta cetogênica, os alimentos são porcionados através de medidas caseiras (ex.: colher de sopa, copo americano, concha etc.) e contagem de carboidrato conforme limite diário estabelecido pelo nutricionista. Isso a torna mais acessível, principalmente para adolescentes e adultos devido à dinâmica social. Porém deve-se considerar que em alguns casos, a dieta de Atkins modificada (fração 1:1) não oferece o controle de crises necessário, exigindo maior restrição através da dieta cetogênica clássica, por meio das frações 2:1, 3:1 ou 4:1.

 

 

Quanto irei comer de carboidrato na Dieta de Atkins Modificada?

Proporcionalmente à dieta cetogênica, a distribuição de macronutrientes é equivale à fração 1:1, ou seja, para cada 1 grama de gordura, há 1 grama de carboidrato e proteína somados. Tal proporção corresponde a 65% de gordura, 30% de proteína e 5% de carboidrato. O nutricionista ou nutrólogo irá indicar a quantidade de carboidrato diária a ser consumida, podendo variar entre 10 a 30 gramas conforme faixa etária.

Qualquer pessoa com epilepsia pode fazer a Dieta de Atkins Modificada?

Não. Os lactentes (crianças em fase de aleitamento) têm indicação a seguir apenas a dieta cetogênica clássica, de preferência através de fórmula industrializada cetogênica, afinal este é um período de intensa demanda energética e de micronutrientes. Nestes casos, o nutricionista poderá considerar o aporte nutricional tanto do aleitamento materno, quanto da dieta cetogênica.

 

Pessoas que se alimentam via enteral podem seguir a Dieta de Atkins Modificada?

Não. As pessoas que se alimentam por via enteral (ingestão de alimentos por sonda posicionada no estômago, jejuno ou duodeno) podem se beneficiar de fórmula industrializada cetogênica disponível na fração 4:1 no Brasil. Caso haja necessidade de ajustar para frações mais brandas, como a 3:1 ou 2:1, o nutricionista fará uso de módulos nutricionais conforme critérios clínicos e laboratoriais.

 

A Dieta de Atkins Modificada é eficiente no controle das crises epilépticas?

Os resultados em crianças e adultos são muito próximos. A cada 100 crianças que seguem dieta de Atkins modificada, 10 a 25 podem apresentar controle total das crises epilépticas e 60 apresentam redução de 50% das crises. Ou seja, uma criança com 10 crises diárias, passaria a apresentar 5 crises diárias. Já no público adulto, a cada 100 pessoas, 13 podem apresentar remissão completa das crises e 53 podem apresentar redução de 50% das crises.

 

Quais exames são necessários para que eu possa iniciar a Dieta de Atkins Modificada?

O protocolo de exames para início da Dieta de Atkins Modificada é semelhante ao da dieta cetogênica, sendo: perfil lipídico, glicemia de jejum, enzimas hepáticas, vitaminas e minerais. A periodicidade é trimestral no primeiro ano de tratamento e anual após este período. Já a ultrassonografia abdominal pode ser realizada anualmente, afinal há menor incidência de cálculos renais e esteatose hepática.

Texto por:

Marcela Gregório

Nutricionista – CRN3: 42201

Publicação: 13/05/2020